quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

ZIMBABWE:CRISE GLOBAL DESAFIO PARA SADC-TOMAZ SALOMÃO

CIDADE DO CABO, 26 FEV (AIM) – O Secretário Executivo da Comunidade de Desenvolvimento da Africa Austral, o moçambicano Tomaz Salomão, afirma que a actual crise económica global representa um sério desafio ao plano da região com vista a recuperação do Zimbabwe.“O bloco regional vai apoiar o Zimbabwe, mas há que tomar em linha de conta o que está a acontecer a nível global que, na verdade, é um desafio”, disse Tomas Salomão.
O secretário-executivo falava quarta-feira a margem do encontro dos ministros das finanças da Comunidade de Desenvolvimento da Africa Austral (SADC), que teve como tónica dominante discutir um pacote de ajuda financeira para o Zimbabwe, onde o governo inclusivo enfrenta uma grave crise humanitária e económica.No encontro, os ministros das finanças avaliaram igualmente medidas a tomar, para atenuar os impactos da crise económica sobre o bloco regional.As medidas, logo que estiverem delineadas, serão submetidas a reunião do Conselho de Ministros da SADC que de hoje até sexta-feira estará congregado naquela cidade sul-africana.“Temos uma diversidade de opções em relação a fonte de financiamento, como os Estados membros que têm reservas. Acho que podemos ajudar o Zimbabwe a bater as portas dos países amigos que podem o ajudar”, disse o secretário, sublinhando que o pedido deve ser feito na região.
Os países ocidentais e os doadores disseram que esperariam para ver se o novo governo é efectivamente sério na luta contra a crise económica que o país atravessa, antes de prestar qualquer forma de auxílio. Alguns estão reticentes em relação a mudança, enquanto Robert Mugabe continuar no poder.Na semana finda, o Primeiro-ministro zimbabweano, Morgan Tsvangirai, disse que o país precisa de um pacote financeiro na ordem dos cinco biliões de dólares norte-americanos para garantir a recuperação económica. Mas peritos em economia sugerem que 10 biliões de dólares é o valor monetário necessário para reconstruir o país.O Zimbabwe tem a taxa de inflação mais elevada do mundo, situação que o coloca perante um enorme desafio para a reconstrução de infra-estruturas como estradas, aeroportos, ferrovias, escolas, hospitais e clínicas, sistemas de abastecimento de água, centrais eléctricas e pontes, que sofreram drasticamente. No entanto, as Nações Unidas prometeram segunda-feira ajudar o Zimbabwe a combater a crise humanitária, numa altura em que o país se debate com uma escassez alimentar crónica e um surto colérico jamais visto.A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse, semana passada, que 3.759 pessoas que contraíram a doença morreram, de um total de 80.250 casos até então reportados.Por isso, a missão das Nações Unidas que se encontra de visita ao país prometeu lidar com a situação humanitária que flagela o país, depois do encontro com o Presidente Robert Mugabe, havido na segunda-feira.Catherine Bragg, Secretária Geral Adjunta para Assuntos Humanitários e coordenadora adjunta para alívio humanitário, disse que o organismo internacional vai intensificar os esforços para ajudar o Zimbabwe.
“Estamos a centrar nas nossas atenções na cólera e quaisquer formas de assistência humanitária que as Nações Unidas poderem oferecer”, disse Bragg, que visitou também os centros de tratamento da doença.A fonte reuniu-se igualmente com os ministros do trabalho, educação, saúde, agricultura e negócios estrangeiros.(AIM)

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